Se você tem idosos na família, provavelmente já tomou algum susto com uma queda acidental ou condição de saúde inesperada. Fato é que a necessidade de cuidados redobra nesta fase da vida, e o melhor jeito de demonstrar amor é colocando o cuidado em prática.
O dia 26 de julho é considerado o Dia dos Avós no Brasil. Para além de celebrarmos a data com palavras e presentes, vale a pena pararmos para refletir sobre um tema que impacta diretamente a saúde e a qualidade de vida da população idosa: a fratura de quadril.
Essa condição é considerada uma das emergências ortopédicas mais graves em pessoas acima dos 70 anos. Com o avanço da idade, os ossos tendem a perder resistência, principalmente em indivíduos com osteoporose. Uma queda da própria altura, por exemplo, geralmente causa apenas algumas escoriações em adultos mais jovens. Porém, em pessoas mais idosas, pode gerar uma fratura de quadril.
Além da dor intensa e da perda da mobilidade, a fratura tende a desencadear uma série de complicações clínicas que aumentam o risco de mortalidade quando o tratamento é adiado. Por isso, muitas vezes, o maior problema acaba não sendo apenas a fratura em si. A imobilização prolongada favorece o surgimento de complicações potencialmente graves, como:
- trombose venosa profunda;
- embolia pulmonar;
- pneumonia;
- infecções urinárias;
- perda acelerada de massa muscular;
- úlceras por pressão;
- piora da capacidade funcional e da independência.
Sendo assim, em muitos casos, as complicações representam um risco ainda maior do que a própria lesão ortopédica.
A importância do tratamento cirúrgico na recuperação
Atualmente, a cirurgia é o tratamento mais indicado para a maioria das fraturas de quadril em idosos. Sempre que as condições clínicas do paciente permitirem, o procedimento deve ser realizado nas primeiras 24 a 48 horas após a ocorrência, uma vez que a intervenção nesse intervalo promove melhores resultados clínicos, menor tempo de internação e redução das complicações relacionadas ao período de imobilidade.
Diversos estudos demonstram que a fratura de quadril está associada a índices elevados de mortalidade entre idosos, especialmente quando o tratamento não ocorre de forma adequada e no tempo correto. Estima-se que a mortalidade no primeiro ano após uma fratura de quadril possa variar entre 20% e 30%, dependendo das condições de saúde do paciente, da idade e da rapidez com que o tratamento é realizado.
O risco aumenta quando há demora para a cirurgia, já que o paciente permanece acamado por mais tempo e fica mais suscetível às complicações decorrentes da imobilidade.
Por isso, a fratura de quadril deve ser tratada com urgência e a cirurgia deve ser realizada o quanto antes, para que o paciente inicie a reabilitação mais cedo e possa retornar às atividades do dia a dia.
A recuperação depende também da família
Vale ressaltar que o sucesso do tratamento não termina na cirurgia. O período de recuperação exige acompanhamento multidisciplinar e o envolvimento da família é essencial para que o idoso recupere sua autonomia.
O apoio dos familiares contribui para:
- incentivar a realização da fisioterapia;
- garantir o uso correto das medicações;
- estimular a retomada gradual das atividades;
- oferecer suporte emocional durante a recuperação;
- adaptar a residência para reduzir o risco de novas quedas.
A prevenção também é um gesto de cuidado
Pequenas mudanças, como retirar tapetes soltos, melhorar a iluminação dos ambientes, instalar barras de apoio no banheiro e utilizar calçados adequados, ajudam a prevenir novos acidentes.
No Dia dos Avós, além de celebrar quem tanto contribuiu para a história da família, é importante reforçar a atenção à saúde dos idosos.
Incentive seus familiares a manter o tratamento da osteoporose quando indicado, realizar atividades físicas supervisionadas e fazer avaliações médicas periódicas. Essas são medidas indispensáveis que protegerão não só a saúde do quadril, mas do corpo como um todo.
E, caso aconteça uma queda e o idoso apresente dor intensa no quadril, dificuldade para ficar em pé ou incapacidade de caminhar, procure atendimento médico imediatamente. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, maiores são as chances de uma recuperação segura, com preservação da mobilidade, da independência e da qualidade de vida.



