Palavra de especialista

Artrose do quadril: do diagnóstico ao tratamento

Você já sentiu dor no quadril ao caminhar, dificuldade para calçar os sapatos ou certa rigidez ao levantar da cadeira, por exemplo? Esses são sinais de uma das condições articulares mais comuns na ortopedia: a artrose do quadril (também conhecida como coxartrose).

Compreender o avanço da doença e identificar o momento correto de intervir é o passo fundamental para recuperar a mobilidade e manter a qualidade de vida. Continue a leitura e entenda o que é a artrose do quadril, quais são os seus estágios, os tratamentos para cada fase e quando a prótese de quadril é indicada.

O que é a artrose do quadril (coxartrose)?

A artrose do quadril é uma doença degenerativa crônica caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste a articulação entre a cabeça do fêmur e a bacia (acetábulo).

Em um quadril saudável, a cartilagem atua como um amortecedor de baixo atrito. Porém, quando ela se desgasta, alguns processos danosos passam a ocorrer. Os ossos começam a entrar em atrito direto, o que passa a gerar microdeformidades ósseas chamadas osteófitos (popularmente conhecidos como “bicos de papagaio”). Como consequência, surgem processos inflamatórios na membrana sinovial, causando dor e limitação funcional.

A artrose raramente surge de forma repentina; trata-se de um processo gradual que evolui ao longo de meses ou anos. Por isso, é tão importante manter um acompanhamento frequente com um profissional de sua confiança; quanto antes for identificada a condição, tem-se mais chances de sucesso no tratamento e/ou no retardamento da doença.

Na fase inicial, o paciente sente um desconforto leve ou uma pontada na região da virilha (e por vezes na coxa ou joelho) após atividades físicas intensas ou longos períodos em pé. Na fase intermediária, por sua vez, a dor torna-se mais constante, surgindo durante caminhadas rotineiras e acompanhada de rigidez matinal ou ao se levantar após um longo tempo sentado. Por fim, na fase avançada, ocorre perda significativa da amplitude de movimento e a dor passa a estar presente mesmo em repouso e durante a noite, prejudicando o sono e a independência nas tarefas diárias.

Estágios e tratamentos da artrose do quadril

O objetivo principal do tratamento é aliviar a dor, restaurar a função da articulação e retardar a progressão do desgaste. A estratégia varia diretamente de acordo com o estágio do paciente.

1. Tratamento conservador (estágios iniciais e moderados)

Nas fases iniciais, o foco é controlar os sintomas e fortalecer a estrutura que suporta a articulação. Por isso, são indicados:

  • Modificação de atividades: substituição de impactos de alta intensidade por atividades de baixo impacto (como natação ou bicicleta).
  • Controle de peso: a redução do peso corporal diminui diretamente a carga mecânica sobre o quadril.
  • Fisioterapia especializada: fortalecimento dos músculos glúteos, abdutores e do core para estabilizar a articulação.
  • Medicação: uso pontual de analgésicos e anti-inflamatórios orientados pelo médico.
  • Infiltrações e viscossuplementação: aplicação intra-articular de ácido hialurônico ou corticoides para redução do processo inflamatório e melhora da lubrificação local.

2. Tratamento intermediário (grau 3)

Quando o tratamento conservador convencional perde eficácia, combinam-se terapias regenerativas e reabilitação intensiva para adiar a necessidade de intervenção cirúrgica de grande porte, avaliando caso a caso.

3. Artroplastia Total do Quadril (ATQ) (grau 4)

A Artroplastia Total do Quadril (ATQ) é a cirurgia de substituição da articulação danificada por componentes protéticos modernos. Ela é a opção de tratamento mais indicada quando o desgaste atinge um estágio avançado (grau 4) ou quando o impacto na qualidade de vida do paciente é severo. Essa indicação não depende exclusivamente da radiografia, mas sim do nível de dor e da limitação funcional vivida pelo paciente no dia a dia. Os principais critérios para a indicação da Artroplastia são:

  • Falha do tratamento conservador: medicamentos, fisioterapia e infiltrações já não proporcionam alívio suficiente.
  • Dor incapacitante em repouso: dor constante que impede o sono reparador ou que surge mesmo sem realização de esforço.
  • Perda de independência: dificuldade acentuada para realizar tarefas simples, como caminhar curtas distâncias, subir escadas ou vestir meias.
  • Deformidade e encurtamento: perda expressiva do movimento que afeta a postura e o movimento das pernas

Atualmente, com técnicas cirúrgicas minimamente invasivas e próteses com materiais de alta durabilidade (como cerâmica e polietileno de alta densidade), a Artroplastia do Quadril apresenta elevadas taxas de sucesso, permitindo o retorno a uma rotina ativa e sem dor.

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Se você apresenta dores frequentes na região do quadril ou já tem o diagnóstico de artrose, o acompanhamento por uma equipe ortopédica especializada é fundamental para traçar o plano de tratamento ideal para o seu momento.

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